21 de novembro de 2013

Ela adora sexo e não tem vergonha disso. Pode ser ninfomaníaca?



O conceito de ninfomania não é novo: desde o século 2 há relatos do chamado “furor uterino”, que se manifestava em mulheres que tinham um desejo insaciável de sêmen e uma capacidade menor de controlar seus desejos. Mas a definição do que é ninfomania mudou muito com o passar dos anos.

No livro “Ninfomania: História” (Imago Editora), a historiadora norte-americana Carol Groneman conta que o comportamento ninfomaníaco de cinquenta, cem ou duzentos anos atrás hoje pode ser considerado normal. As ninfomaníacas do século 19, por exemplo, eram “mulheres de classe média (...) que experimentavam um intenso desejo sexual, masturbavam-se e até sonhavam com sexo”. Acreditava-se que as mulheres eram naturalmente menos “ardentes” que os homens, e por isso uma mulher de comportamento sexual normal nos dias de hoje, naquela época podia parar no hospício.

Atualmente a medicina rejeita o termo “ninfomania”. Aderbal Vieira Junior, psiquiatra do Ambulatório de Tratamento de Dependências Comportamentais do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Universidade Federal de São Paulo, explica: “Ninfomania é um termo leigo. É mais cultural do que técnico. Nós tratamos de dependência de sexo”. Na Classificação Internacional de Doenças (CID-10), existe uma categoria chamada “apetite sexual excessivo”, que abrange a ninfomania, para mulheres, e a satiríase, para homens.

O excesso de apetite sexual passa a ser um problema de saúde quando a pessoa perde o controle sobre seus impulsos. “Esta perda de controle pode ser percebida no dia a dia: quando a necessidade de sexo faz com que a pessoa perca compromissos importantes, se afaste da família e dos amigos, e dedique muito tempo e energia em busca de experiências sexuais”, define Scanavino.

Para este tipo de dependência, o tratamento é multidisciplinar e bastante abrangente. No Ambulatório de Impulso Sexual Excessivo do Hospital das Clínicas, após procurar ajuda a pessoa é avaliada por psiquiatras, passa por entrevistas psicológicas individuais e psicoterapia em grupo. O tratamento dura em média oito meses. Passado o período de tratamento, a dependência sexual deve ser administrada, para evitar recaídas.

Quando a questão não é médica, e sim cultural, a ninfomania ganha outro significado. “Chamar uma mulher de ninfomaníaca é uma desqualificação moral”, diz Vieira Junior. “A ninfomaníaca é a vagabunda, é uma mulher moralmente condenável. Isso repercute um padrão cultural nosso: a mulher não deve gostar de sexo, este é o papel do homem”, completa.

Ao manifestar desejo sexual, dividir suas vontades e efetivamente tomar iniciativas com o objetivo de alcançar o prazer, muitas vezes as mulheres despertam inveja em outras, que ainda reprimem suas vontades. Além disso, assustam os homens. “Cada vez mais recebo homens em meu consultório que chegam assustados, achando que suas parceiras são ninfomaníacas. E quando vamos analisar, quase sempre elas são completamente saudáveis”, conta a psicóloga e terapeuta sexual Lúcia Pesca.

Portanto, quando o desejo sexual não resulta em descontrole, não atrapalha a vida e não causa sofrimento, não há motivos para se preocupar.
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