16 de novembro de 2013
Mulheres que fazem pornô feminista mudam perfil dos filmes eróticos
Orgânico. É este o novo conceito de filmes eróticos com as mulheres no comando. A luz é natural, o ritmo mais lento e as cenas são recheadas de beijos e carícias. “Em vez de sexo explícito, faço filmes sensuais, cujo foco é o prazer feminino. Isso inclui música boa, diálogos bem construídos, preliminares apaixonadas e trajes elegantes”, conta a sueca radicada em Barcelona Erika Lust , diretora mais famosa do gênero.
A pornografia feminista -- tendência na Europa e nos Estados Unidos, e ainda não explorada no Brasil -- é especialmente conhecida pela diversidade. Os atores são naturalmente bonitos, mesmo que não tenham corpos perfeitos, e de todas as raças, gêneros e preferências sexuais.
“Muito diferente dos filmes tradicionais de sexo, que nos dizem que apenas são desejáveis homens musculosos, com pele oleosa, e pênis imensos, enquanto uma mulher só pode ser atraente se for como uma Barbie, com corpo falso e nenhum pelo”, avalia Erika, que dispensa closes de genitálias por achar muito invasivo.
Intimidade e paixão a interessam muito mais do que simplesmente posições e contorcionismos. “Tento capturar o autêntico, que é o sexo do jeito que eu vejo”, diz ela. Antes de entrar no ramo, Erika não gostava de assistir aos filmes eróticos por achá-los “bregas, falsos e de má qualidade”. “Eles nunca ajudaram a melhorar a minha vida sexual”, revela.
Apesar de admitir que práticas como sexo anal e gang bang (sexo heterosexual entre uma mulher e diversos homens) possam excitar mulheres, ela prefere deixá-las de lado. “Não cabe a mim dizer o que é permitido ou o que não é. Mas faço filmes sobre os meus desejos e os dos meus amigos”, explica.
Já a atriz aposentada Candida Royalle , hoje feminista e diretora de filmes adultos para mulheres, prefere fazer uso das práticas citadas com parcimônia. “Não é como no pornô para homem, que sempre precisa ter anal. Aconteceu em um dos meus filmes porque o casal se sentia à vontade em cena. Gang bang também tem que ter um contexto. A mulher não é mais usada e abusada”, diz Candida.
Por amor e por tesão
Isso não quer dizer que as mulheres só gostem de transar por amor. É o que afirma a escritora Carol Teixeira, autora do blog A Obscena Senhorita C e vocalista da banda Brollies & Apples. “Nós também gostamos de sacanagem. Nem sempre queremos uma história incrível e um cuidado estético, às vezes queremos apenas gozar”, defende Carol. “Essa ideia de que mulher não curte pornô é algo puramente cultural. Ela nunca foi inserida no mercado erótico, sempre considerado ‘coisa de homem’.”
Candida concorda com a citação da blogueira. Afinal, ela viveu sob esse regime machista quando atuava no segmento como atriz, em meados dos anos 1970. “A sociedade impôs que só o homem poderia fazer o que quisesse sexualmente. A mulher não, senão ela sairia como louca na rua e deixaria a família”, pontua.
Hoje nos bastidores, Candida conduz os roteiros à sua maneira. “O meu estilo é mais natural. Não é aquela coisa do pornô típico: a mulher está sempre excitada e pronta para transar. E o homem, sempre a ponto de bala. Não, nem sempre ele consegue a ereção e a mulher também pode estar tímida, querendo apagar as luzes”, diz.
Na opinião de Carol, o pornô ideal seria uma mistura dos pornôs feminino e masculino: nem tão romântico, nem tão explícito. “Acho que o pornô ideal vai vir de um equilíbrio que ainda não aconteceu”, ela acredita, citando a diretora Erika Lust como o estilo erótico mais próximo deste.
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